Em 20 de agosto de 2026 o morango cravejado apareceu pela primeira vez nos pedidos do iFood. Seis dias depois, bateu recorde: 350 vezes mais pedidos, com alta de 111% num único dia e 113% em unidades no Brasil inteiro. As buscas no Google pelo termo subiram 5.000%.
Uma observação sobre o número, porque parte da imprensa publicou errado: são 350 vezes, não 350%. A diferença entre as duas coisas é de quase cem vezes. O dado é do próprio iFood.
O doce é um morango fresco envolto em brigadeiro branco, coberto com chocolate branco e finalizado com cacos de caramelo vermelho. Os pedaços espalhados sobre o chocolate lembram uma joia cravejada de pedras, e é daí que vem o nome.
Agora a parte que interessa a quem trabalha com marketing: ninguém inventou um doce novo aqui. São três gerações da mesma receita.
A primeira é a maçã do amor, doce de festa junina que existe há décadas. A segunda apareceu quando alguém trocou a maçã por morango: virou morango do amor, que foi febre em julho de 2025, com confeitaria vendendo tudo quase todo dia. A terceira é o cravejado, que é o morango do amor com chocolate branco por cima e caramelo em cima do chocolate.
Uma camada a mais, de cada vez. E o Google confirma que as duas últimas febres vivem na mesma cabeça: entre os termos relacionados a "morango cravejado" aparece "morango do amor".
Só que tem o outro lado. O morango do amor hoje é item normal de cardápio, não é mais notícia. Ou seja: quem entra numa febre dessas tem semanas, não anos. Tratar o pico como novo patamar de demanda é o jeito mais rápido de ficar com estoque parado.
A lição prática, então, não é sair inventando: é olhar o que já está vendendo no seu mercado e acrescentar uma camada. E entrar barato, com estoque pequeno e cardápio que muda rápido, porque a janela fecha.