A garota de Ipanema foi processada por se chamar Garota de Ipanema.
Em 1962, Tom Jobim e Vinicius de Moraes escrevem uma música sobre uma menina que passava na rua a caminho da praia. A menina existia: chamava Heloísa Pinheiro. A música virou uma das mais gravadas do mundo, com mais de trezentas gravações.
Quase quarenta anos depois, ela abriu uma loja de roupa e botou o nome de Garota de Ipanema. Os herdeiros de Tom Jobim e de Vinicius entraram na justiça contra ela. O argumento: o nome é obra registrada, e usar numa loja é exploração comercial.
Ou seja: ela é a garota de Ipanema, mas ser a inspiração não te dá a marca. Reconhecer é uma coisa. Registrar é outra.
A briga durou dez anos e terminou em 2011, a favor dela. O que pesou foi um papel: na época, os próprios autores tinham anunciado publicamente que era ela.
Inspiração não vira propriedade. Registro vira. Marca não é a história bonita que você conta, é o nome que está no papel.
Se o nome do seu negócio depende de uma história, registre antes de contar.