Ele era o rosto de uma cerveja. Aí apareceu na TV bebendo a outra.
Setembro de 2003: a Nova Schin contrata Zeca Pagodinho. O contrato valia cerca de R$ 1 milhão e ia até setembro do ano seguinte. A campanha tinha uma palavra só, experimenta. E funcionou: a marca virou a terceira do país e cortou pela metade a distância pra Brahma, de dez pontos pra cinco.
Aí, em março de 2004, a Brahma solta um comercial surpresa. Com o mesmo Zeca. Cantando: fui provar outro sabor, eu sei, mas não largo meu amor, voltei.
O contrato com a Nova Schin ainda estava valendo. O CONAR mandou tirar do ar por unanimidade, e a justiça condenou a agência da Brahma a pagar R$ 500 mil pra agência do outro lado.
Ninguém comprou o Zeca. Compraram a memória que ele já era. Contrato protege o prazo, não protege o sentido.
Antes de comprar um rosto, pergunte o que sobra da sua marca quando ele for embora.