Produto
Curva de adoção
O que é
Curva de adoção é a divisão do mercado por quando cada pessoa aceita uma novidade. Everett Rogers formulou isso em 1962 estudando difusão de inovação, e os cinco grupos são: inovadores, adotantes iniciais, maioria inicial, maioria tardia e retardatários.
A parte útil para marketing não é a classificação, é a consequência: cada grupo compra por um motivo diferente, então a mesma mensagem não serve para todos. Quem vende para a maioria com o discurso que convenceu os inovadores fala sozinho.
Por que a ordem é essa
A ordem é cronológica e não se escolhe: a inovação chega aos grupos nessa sequência, e cada grupo precisa do anterior como prova. O inovador compra porque é novo, e ele é o único que não pede referência. O adotante inicial compra porque enxerga vantagem, e olha o inovador. A maioria inicial compra quando é seguro, e o que dá segurança é o adotante inicial já estar usando.
Daí a passagem mais difícil, que Geoffrey Moore batizou de abismo: entre o adotante inicial e a maioria inicial. O primeiro tolera produto incompleto em troca de vantagem; o segundo quer que funcione, tenha suporte, tenha caso parecido com o dele. Muita empresa acha que encontrou mercado porque vendeu bem para os dois primeiros grupos, aumenta a estrutura, e descobre que o discurso de vanguarda não move a maioria.
Na prática, isso significa que a comunicação precisa mudar sem que o produto mude. Sai a novidade, entram o caso concreto, a segurança e o "quem mais usa".
Etapa por etapa
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Inovadores
Compram pela novidade e aceitam defeito. Fonte preciosa de aprendizado, público minúsculo. Falam com quem constrói.
Se sair do lugar: Confundir o entusiasmo deles com demanda de mercado é o erro que faz empresa dimensionar estrutura para uma fatia pequena.
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Adotantes iniciais
Compram por vantagem competitiva e viram referência. É com eles que se constrói o caso que a maioria vai pedir.
Se sair do lugar: Não transformar esse grupo em caso documentado deixa a etapa seguinte sem a prova de que precisa.
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Maioria inicial
Compram quando é seguro: caso parecido, suporte, integração. É aqui que o volume começa.
Se sair do lugar: Falar de novidade para este grupo soa como risco, que é exatamente o que ele quer evitar.
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Maioria tardia
Compram quando não usar passa a ser desvantagem. Preço e facilidade decidem mais que recurso.
Se sair do lugar: Manter preço de pioneiro nesse estágio entrega o grupo para o concorrente mais simples e mais barato.
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Retardatários
Compram por obrigação: exigência de cliente, de lei, fim do suporte do que usavam.
Se sair do lugar: Gastar comunicação de convencimento aqui é desperdício: o que move é o prazo, não o argumento.
Como o marketingames vive isso
Jogo diário é um caso de manual. O grupo que testa jogo novo na primeira semana quer novidade e aceita bug; o grupo que faz volume só entra quando alguém que ele conhece já está jogando, porque a prova social é a segurança dele. É por isso que o resultado compartilhável em quadradinhos foi tão determinante para o formato: ele é o mecanismo de passagem do adotante inicial para a maioria.
Na prática isso muda a comunicação de lançamento. No começo, a mensagem é o que o jogo tem de diferente. Depois, a mensagem é que tem gente jogando, e a prova é o print de resultado do amigo, não o anúncio.
Perguntas rápidas
- Qual o tamanho de cada grupo?
- Rogers propôs proporções que viraram referência: inovadores em torno de dois e meio por cento, adotantes iniciais treze e meio, maioria inicial e maioria tardia trinta e quatro cada, retardatários dezesseis. São proporções de um modelo, não medição do seu mercado, e servem para dimensionar expectativa, não para planejar receita.
- O que é o abismo?
- É a passagem entre adotantes iniciais e maioria inicial, e o nome vem do livro Crossing the Chasm, de Geoffrey Moore. A dificuldade é que os dois grupos compram por motivos opostos: um quer vantagem e tolera risco, o outro quer ausência de risco. Atravessar exige mudar mensagem, prova e suporte.
- Como saber em que estágio meu produto está?
- Pela pergunta que o cliente faz na venda. Se ele pergunta o que o produto faz de novo, é grupo inicial. Se pergunta quem já usa e o que acontece se der problema, a maioria chegou, e a comunicação precisa mudar.
- Serve para produto que não é tecnologia?
- Serve para qualquer coisa nova: serviço, formato de loja, meio de pagamento, hábito de consumo. Rogers estudou adoção de semente híbrida por agricultores, não software.