Planejamento
Plano de marketing
O que é
Plano de marketing é o documento que liga onde você está a onde quer chegar e diz como. Ele tem cinco camadas: diagnóstico, objetivo, estratégia, tática e controle. A palavra que mais aparece em plano ruim é "tática", e ela é a quarta da lista.
Tamanho não é sinal de qualidade. Um plano de duas páginas com as cinco camadas encadeadas funciona melhor que trinta páginas de slide com dados de mercado e um calendário de posts no fim.
Por que a ordem é essa
Tática sem objetivo é lista de coisa para fazer, e é assim que a maioria dos planos nasce: começa com "vamos fazer TikTok e newsletter" e depois procura um objetivo que justifique. O teste é simples: se você trocar a tática por outra e o objetivo continuar igualmente atendido, a tática era escolha, não conclusão. Se não continuar, ela vem do plano de verdade.
E objetivo antes de diagnóstico produz meta descolada da realidade. "Dobrar o faturamento" é objetivo em qualquer empresa do mundo, o que quer dizer que não diz nada sobre a sua. Já "recuperar a participação que perdemos no canal de farmácia desde o ano passado" só existe depois de alguém olhar o dado.
O controle fecha o ciclo, e é a etapa que quase todo plano trata como anexo. Sem ele, o plano não é reavaliado no meio do caminho: é arquivado em janeiro e reescrito em dezembro.
Etapa por etapa
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Diagnóstico
Onde você está, com número: participação, canais que funcionam, custo de aquisição, o que o concorrente faz melhor. É a etapa que dói e a que dá sustentação a todas as outras.
Se sair do lugar: Sem diagnóstico, o plano descreve o mercado em geral e a sua empresa em particular fica de fora.
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Objetivo
O que muda, quanto e até quando. Um número e uma data. Dois ou três objetivos no máximo, porque plano com sete objetivos não tem nenhum.
Se sair do lugar: Objetivo sem número não pode ser cumprido nem descumprido, então não organiza decisão nenhuma.
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Estratégia
A escolha de onde competir e com o que ganhar. Estratégia é principalmente o que você decide NÃO fazer: qual público, qual canal e qual posicionamento ficam de fora.
Se sair do lugar: Sem exclusão declarada, tudo é prioridade e a verba se pulveriza em seis canais.
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Tática
As ações concretas com dono, prazo e verba. Aqui entram campanha, conteúdo, evento, parceria.
Se sair do lugar: Tática sem dono e sem prazo é intenção, e intenção não aparece no resultado do trimestre.
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Controle
Quais indicadores serão olhados, com que frequência e o que aciona uma mudança de rota. Definido antes, não depois.
Se sair do lugar: Sem gatilho de revisão combinado, campanha ruim roda até a verba acabar porque cancelar parece admitir erro.
O plano que é um calendário
O formato mais comum de plano de marketing em empresa pequena é uma planilha com doze meses e o que será publicado em cada um. É útil, e não é um plano: é a quarta camada sem as três de cima. Ele responde "o que vamos fazer" e não responde "para quê", que é a única pergunta que permite cortar algo quando a verba encolhe no meio do ano.
O sintoma aparece na reunião de corte: sem objetivo e estratégia escritos, a discussão sobre o que sai vira disputa de preferência entre áreas, e o que sobrevive é o que tem defensor mais insistente, não o que sustenta o resultado.
O controle, na prática
Controle é uma tabela curta: para cada objetivo, um indicador principal, a frequência de leitura e o valor que dispara conversa. Três hábitos fazem a diferença entre controle e relatório: ler o indicador na frequência em que ele se move (verba de mídia é semanal, marca é trimestral), separar o que é resultado do que é atividade (posts publicados é atividade), e escrever a decisão tomada em cada leitura, mesmo quando a decisão foi não mexer.
Perguntas rápidas
- Qual a diferença entre plano de marketing e planejamento estratégico?
- O planejamento estratégico é da empresa e responde em que negócios estar. O plano de marketing é um desdobramento dele e responde como conquistar e manter cliente no negócio escolhido. Quando o plano de marketing precisa decidir em que mercado entrar, ele está fazendo o trabalho do outro.
- De quanto em quanto tempo refazer?
- O diagnóstico e o objetivo aguentam o ano; a tática não passa do trimestre. Plano anual revisado a cada três meses é mais realista que plano trienal, que costuma ficar desatualizado antes da primeira revisão.
- Preciso de SWOT?
- A SWOT ajuda a organizar o diagnóstico, e é só isso. Ela não gera objetivo nem estratégia, e plano que termina na matriz preenchida parou na primeira camada. No Segue o Fluxo ela nem entra, porque é lista e não caminho: trocar duas caixas de lugar não quebra nada.
- Como definir o objetivo sem histórico?
- Sem histórico próprio, ancore em referência externa (dado setorial, benchmark de canal) e trate o primeiro ciclo como calibragem declarada. É honesto e funciona melhor que inventar um percentual redondo, que é o que costuma acontecer.