Estratégia
Análise de concorrente
O que é
Análise de concorrente é olhar quem disputa o mesmo cliente que você para decidir onde competir. A palavra que costuma faltar nessa definição é decidir: análise que não termina numa escolha é coleção de prints da concorrência guardada numa pasta.
A sequência é mapeamento, coleta, comparação, lacuna e posicionamento. Ela tem cinco etapas e a maioria das análises para na terceira.
Por que a ordem é essa
Copiar o concorrente é parar na comparação e chamar isso de estratégia. A tabela fica pronta, todo mundo concorda que eles são melhores em três coisas, e a conclusão é fazer as três. O problema é que essas três coisas são a força deles: entrar ali é competir no terreno onde o outro já ganhou.
As duas etapas seguintes é que produzem decisão. A lacuna pergunta o que ninguém está atendendo, e a resposta às vezes é desconfortável: um público que todos consideram pequeno, um problema que todos consideram chato. O posicionamento transforma essa lacuna em escolha declarada, incluindo o que você deixa de ser bom de propósito.
E o mapeamento vem primeiro porque define contra quem você está comparando. A maior parte das análises erra aqui: lista os três nomes que a diretoria cita nas reuniões e ignora a alternativa que o cliente realmente considera, que muitas vezes é fazer nada, fazer na mão ou usar planilha.
Etapa por etapa
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Mapeamento
Listar quem disputa o mesmo dinheiro, incluindo a alternativa que não é empresa: a planilha, o estagiário, o "deixa para o ano que vem".
Se sair do lugar: Mapa que só tem concorrente direto ignora a alternativa que ganha a maioria das disputas de verdade.
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Coleta
Reunir o que é público e verificável: preço de tabela, posicionamento no site, prazo, avaliação de cliente, vaga aberta (que diz onde eles vão investir).
Se sair do lugar: Coleta por impressão de reunião produz análise sobre a reputação do concorrente, não sobre o que ele faz.
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Comparação
Colocar lado a lado nos critérios que o cliente usa para escolher, não nos que você prefere. Se o cliente decide por prazo, a comparação começa por prazo.
Se sair do lugar: Comparar em critério próprio produz a conclusão confortável de que você é melhor no que você já é bom.
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Lacuna
O que ninguém atende bem: público, ocasião, faixa de preço, região, tipo de problema.
Se sair do lugar: Sem procurar lacuna, a análise só confirma o mapa existente e nenhuma decisão sai dela.
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Posicionamento
A escolha: para quem você é a melhor opção e por quê, e o que você aceita não ser. É o que muda site, discurso de vendas e produto.
Se sair do lugar: Análise que termina na lacuna fica no diagnóstico, e diagnóstico não muda uma linha de comunicação.
A tabela de comparação que vira lista de tarefas
Depois de comparar, existe sempre a tentação de igualar: se eles têm aplicativo, precisamos de aplicativo; se eles têm frete grátis, precisamos de frete grátis. Cada item copiado consome verba e não gera preferência, porque preferência vem de diferença, não de paridade.
O uso correto da tabela é o inverso: encontrar as duas ou três linhas em que a diferença a seu favor é real e defensável, e concentrar comunicação nelas. Onde eles são melhores e o cliente não decide por aquilo, a resposta certa costuma ser não fazer nada.
Com que frequência refazer
Análise de concorrente não tem métrica, tem cadência e gatilho. Cadência: uma revisão leve por trimestre, olhando preço, posicionamento e novidade. Gatilhos que pedem revisão fora de hora: concorrente novo aparecendo em três conversas de venda no mesmo mês, mudança de preço deles, entrada de um nome grande no seu mercado. E vale acompanhar uma medida sua, não deles: a proporção de perdas em que o cliente citou um concorrente específico, que é o mapa real de quem está disputando com você.
Perguntas rápidas
- Qual a diferença entre análise de concorrente e benchmarking?
- Benchmarking compara desempenho em processo (quanto tempo eles levam para entregar, qual a taxa de erro) e serve para melhorar operação. A análise de concorrente é estratégica: onde competir. Uma responde "como fazer melhor", a outra "o que fazer diferente".
- Onde conseguir dado do concorrente sem inventar?
- Fontes públicas resolvem a maior parte: site e tabela de preço, avaliação de cliente em marketplace e loja de aplicativo, vagas abertas, biblioteca de anúncios das plataformas, e o próprio Google mostrando por quais termos eles aparecem. Nada disso exige nada além de tempo.
- Vale contratar consultoria para isso?
- Vale quando o mercado é novo para você ou quando o dado necessário não é público (comportamento de compra, participação real). Para acompanhar quem você já conhece, a análise feita internamente é melhor, porque quem faz é quem vai decidir.
- Analisar concorrente não é olhar demais para o lado?
- É, quando a análise define o que você faz. A defesa é a etapa de lacuna: ela obriga a olhar o que ninguém está fazendo, e não o que o outro está fazendo bem.