Pesquisa
Teste de conceito
O que é
Teste de conceito é mostrar uma ideia antes de construí-la e medir a reação de quem compraria. Vale para produto novo, embalagem, nome, campanha e preço. O que se testa não é a execução final: é o conceito, o que aquilo é e para quem serve.
A sequência é conceito, estímulo, público, reação e decisão. A diferença entre as duas primeiras é o que a maioria confunde: o conceito é a ideia escrita em uma frase; o estímulo é o material que apresenta essa ideia para alguém.
Por que a ordem é essa
Testar com o público errado é caro do mesmo jeito e ainda ensina a coisa errada. É o pior desfecho possível, porque produz confiança em cima de resposta inválida: a ideia foi aprovada por quem não compra, e a empresa avança convicta.
O estímulo vem antes do público porque ele determina o que a reação vai significar. Conceito apresentado como texto mede compreensão; como imagem, mede apelo; com preço, mede intenção real. Trocar o estímulo no meio do teste (metade viu com preço, metade sem) produz duas amostras que não podem ser somadas.
E a decisão precisa estar combinada antes da reação: o que faríamos se a aprovação viesse abaixo de tanto? Sem esse combinado, todo resultado morno é interpretado como sinal verde por quem já queria seguir.
Etapa por etapa
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Conceito
A ideia em uma frase: o que é, para quem, que problema resolve e o que substitui. Se não cabe numa frase, não há o que testar ainda.
Se sair do lugar: Conceito vago recebe reação vaga, e reação vaga é lida como aprovação.
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Estímulo
O material que apresenta o conceito: texto curto, imagem, página falsa, vídeo. Igual para todos os participantes.
Se sair do lugar: Estímulo bonito demais testa o material, não o conceito, e depois ninguém sabe o que foi aprovado.
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Público
Quem compraria de verdade, recrutado por critério de comportamento passado, não por disponibilidade.
Se sair do lugar: Testar com colega, amigo e seguidor fiel produz aprovação garantida e sem valor.
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Reação
Compreensão (entendeu o que é?), apelo (acha relevante?) e intenção (compraria por quanto?). Nessa ordem, porque intenção sem compreensão não vale nada.
Se sair do lugar: Medir só intenção declarada infla resultado, porque dizer que compraria não custa nada.
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Decisão
Seguir, ajustar ou descartar, com o critério definido antes. Registrar o motivo, inclusive quando é para descartar.
Se sair do lugar: Teste sem critério prévio vira ritual de aprovação da ideia que já estava decidida.
A pergunta que infla tudo
"Você compraria?" tem aprovação altíssima e valor quase nulo. Dizer sim é gentil, gratuito e não obriga a nada. É a mesma armadilha da pesquisa de intenção: a resposta mede simpatia pela ideia, não disposição a pagar.
Três substituições melhoram muito o teste: perguntar quanto pagaria (número obriga a considerar orçamento), perguntar o que deixaria de usar para usar isso (obriga a considerar substituição), e melhor que as duas, pedir um ato pequeno de compromisso, como deixar o e-mail numa lista de espera ou fazer uma reserva simbólica. Comportamento, mesmo pequeno, prevê melhor que declaração.
Como medir
Três medidas, sempre comparadas com um conceito de controle e nunca isoladas: compreensão (quantos explicam a ideia de volta com as próprias palavras), relevância (quantos dizem que o problema é deles) e intenção com preço na mesa. Número absoluto de aprovação não diz nada sem referência: o que informa é o conceito A contra o conceito B, ou contra o produto que já existe.
Perguntas rápidas
- Quantas pessoas para um teste de conceito?
- Para comparar dois ou três conceitos com sinal razoável, algumas centenas de respostas do público certo. Para descobrir se a ideia é compreensível, dez conversas resolvem. São perguntas diferentes: uma pede volume, a outra pede profundidade.
- Dá para testar sem ter o produto?
- É exatamente o ponto. Página de venda de um produto que ainda não existe, com botão que leva a uma lista de espera, é um dos testes mais baratos e mais honestos que existem, desde que ninguém seja cobrado por algo que não será entregue.
- Qual a diferença entre teste de conceito e teste de usabilidade?
- O de conceito pergunta se a ideia interessa; o teste de usabilidade pergunta se a pessoa consegue usar o que já existe. Um acontece antes de construir, o outro depois.
- E se o teste reprovar a ideia do chefe?
- É o momento em que o critério combinado antes vale ouro, porque a discussão passa a ser sobre o critério e não sobre a ideia. Sem ele, teste reprovado costuma virar questionamento do método, e o projeto segue igual.