Pesquisa
Teste de usabilidade
O que é
Teste de usabilidade é sentar ao lado de alguém que não fez o produto e observar essa pessoa tentando realizar uma tarefa nele. Não é pesquisa de opinião: o que interessa não é se ela gostou, é se ela conseguiu, onde travou e o que disse em voz alta no momento em que travou.
A sequência é recrutar, roteiro, sessão, análise e ajuste. É um dos processos mais baratos do marketing digital e um dos menos executados, porque exige assistir a alguém errando na sua obra sem interromper para ajudar.
Por que a ordem é essa
Rodar sessão sem roteiro rende história boa e nenhuma conclusão comparável. Sem tarefa fixa, cada participante faz um percurso diferente, e no fim você tem cinco anedotas em vez de um padrão. O valor do teste vem justamente da repetição: quando o terceiro participante trava no mesmo botão, aquilo deixou de ser característica da pessoa e passou a ser característica da interface.
E o recrutamento vem antes porque ele define o que o teste pode dizer. Testar com colega de trabalho não testa nada: ele já sabe onde clicar, conhece o vocabulário interno e quer que dê certo. Cinco pessoas do público real valem mais que cinquenta de dentro da empresa.
Etapa por etapa
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Recrutar
Encontrar gente do público de verdade, com o critério mínimo que importa para a tarefa (já comprou online, nunca usou o produto, usa no celular).
Se sair do lugar: Recrutar quem está por perto testa a familiaridade dessa pessoa com você, não a clareza do produto.
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Roteiro
Duas a quatro tarefas escritas em linguagem de resultado, não de interface. "Compre o produto mais barato dessa categoria" é tarefa. "Clique no filtro de preço" é instrução.
Se sair do lugar: Tarefa que nomeia o botão entrega o caminho e mede se a pessoa sabe ler, não se ela sabe navegar.
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Sessão
A pessoa executa e narra o que está pensando. Você fica quieto, anota onde ela hesita e só intervém quando ela desiste.
Se sair do lugar: Ajudar no meio do travamento apaga exatamente o dado que você foi buscar.
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Análise
Juntar os travamentos por frequência e por gravidade. Problema que aparece em três de cinco sessões é prioridade; o que apareceu uma vez fica registrado e espera.
Se sair do lugar: Sem consolidar, a reunião de resultado vira disputa de anedota preferida de cada um.
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Ajuste
Mudar a interface e, se for mudança grande, testar de novo. É o único passo que transforma o teste em ganho.
Se sair do lugar: Teste sem ajuste é entretenimento caro, e a próxima rodada nunca é aprovada.
A pergunta que estraga a sessão
"Ficou fácil de achar, né?" É a frase mais comum e a mais destrutiva de um teste de usabilidade. Ela avisa qual é a resposta esperada, e a pessoa, que está sendo gentil na sua sala, concorda. Você registra um sucesso onde houve trinta segundos de hesitação.
O antídoto é substituir pergunta por silêncio, e quando precisar falar, perguntar sobre o que aconteceu: "o que você está procurando agora?", "o que você esperava que fosse acontecer?". A regra é não fazer pergunta que possa ser respondida com sim.
Como medir
Três medidas simples bastam: taxa de conclusão por tarefa (quantos terminaram sem ajuda), tempo até a conclusão comparado entre participantes, e a contagem de travamentos por tela, que é o que aponta onde mexer primeiro. O número de participantes é pequeno de propósito, então nada disso é estatística: é evidência qualitativa, e ela serve para decidir o que consertar, não para provar que a taxa de conversão vai subir tantos por cento.
Perguntas rápidas
- Quantas pessoas preciso testar?
- Cinco por perfil resolve a maior parte, e é uma recomendação antiga de Jakob Nielsen que se sustenta na prática: os primeiros participantes revelam a maioria dos problemas graves, e a partir daí a repetição cresce. Se o produto atende dois públicos muito diferentes, são cinco de cada.
- Dá para fazer remoto?
- Dá, e funciona bem para tarefa em tela, com chamada de vídeo e compartilhamento de tela. O que se perde é a linguagem corporal, que costuma avisar da hesitação antes da fala.
- Preciso de ferramenta paga?
- Não para começar. Chamada de vídeo gravada, com autorização, resolve. Ferramenta paga ajuda quando o volume cresce (recrutamento, mapa de calor, teste sem moderador), não quando você ainda não testou nenhuma vez.
- Qual a diferença entre teste de usabilidade e teste A/B?
- O de usabilidade explica por que as pessoas travam, com poucas pessoas e muita observação. O teste A/B mede qual versão converte mais, com muita gente e nenhuma explicação. Um alimenta o outro: a observação gera a hipótese, o A/B decide.